Primeira Instrução do Grau de
Companheiro Maçom Adonhiramita
Por Hiran de Melo
A instrução
do Grau de Companheiro na Maçonaria Adonhiramita, ao abordar o Painel Alegórico
e os símbolos do Templo de Salomão, revela uma profunda pedagogia espiritual e
filosófica que se alinha com o pensamento de Louis Antoine Travenol,
especialmente em sua concepção da Maçonaria como uma escola de aperfeiçoamento
moral e intelectual, onde o símbolo é o instrumento da elevação do espírito.
Simbolismo como Caminho de Perfeição
A instrução
destaca que o Companheiro deve buscar a perfeição por meio dos meios postos à
sua disposição — representados alegoricamente no Painel da Loja. As colunas
Jaquim e Boas, com seus capitéis ornados de lírios e romãs, não são apenas
elementos arquitetônicos: são expressões de virtudes que o Companheiro deve
cultivar:
Lírios: Pureza e inocência
Romãs: Abundância e fertilidade
Rendilhado: União e harmonia
Esses
símbolos remetem à ideia de que o progresso espiritual exige não apenas
conhecimento técnico (como o domínio da Geometria), mas também a incorporação
de valores éticos e espirituais. Travenol afirma que “o símbolo é a linguagem
da alma; ele fala ao coração mais do que à razão” — e aqui, o Companheiro é
convidado a decifrar essa linguagem para transformar-se.
Universalidade e Unidade
As esferas
sobre as colunas, representando os globos terrestre e celeste, apontam para a universalidade
da Maçonaria, que transcende fronteiras geográficas e culturais. Essa ideia
reforça o princípio de que o Companheiro não é apenas um obreiro local, mas um
buscador da Verdade em escala cósmica. A Maçonaria, nesse sentido, é uma ponte
entre o microcosmo do homem e o macrocosmo do universo — uma noção cara à
filosofia esotérica de Travenol, que via o Templo como reflexo do homem
interior.
A Escada em Caracol: Alegoria da
Ascensão
A escada em
caracol, com seus 3, 5 e 7 degraus, representa o progresso gradual do iniciado:
Três: Os que governam — símbolo da tríade divina e da
sabedoria dirigente
Cinco: As ordens arquitetônicas — domínio técnico e
estético
Sete: As artes liberais — saber universal
Essa
ascensão é uma metáfora da jornada do espírito, que parte da ignorância
(Aprendiz), passa pela técnica (Companheiro) e busca a sabedoria plena
(Mestre). A escada é tortuosa, como a vida, e exige diligência, perseverança
e fé — virtudes que Travenol considerava essenciais ao verdadeiro iniciado.
A Palavra
SCH: Discernimento e Identidade
A história
da palavra de passe “Sch” revela um ensinamento profundo sobre discernimento
e identidade espiritual. A diferença entre “Sch” e “Sib” não é apenas
fonética, mas simbólica: ela separa o verdadeiro iniciado do impostor. O
Companheiro é chamado a desenvolver discernimento, não apenas para reconhecer
os outros, mas para reconhecer a si mesmo — saber quem é, onde está em sua
jornada, e o que ainda lhe falta.
Geometria e Natureza: A Ciência do
Espírito
A instrução
final exorta o Companheiro a estudar a Geometria e a Natureza como fontes de
sabedoria. A Geometria, ciência das proporções e da harmonia, é vista como o
caminho para compreender a ordem divina do universo. Travenol via na Geometria
uma “ciência sagrada”, capaz de revelar os mistérios do Grande Arquiteto do
Universo. O Companheiro, ao estudar a Natureza, não apenas aprende técnicas —
ele se aproxima do divino.
Conclusão: A Filosofia da Iniciação
A instrução
do Grau de Companheiro é, em essência, um convite à transformação interior.
Cada símbolo, cada história, cada número é um degrau na escada do espírito.
Louis Antoine Travenol, ao afirmar que “a iniciação é uma viagem do exterior ao
interior, do visível ao invisível, do profano ao sagrado”, sintetiza
perfeitamente o espírito desta instrução. O Companheiro é aquele que, tendo
deixado a infância espiritual, começa a trabalhar com consciência, rumo à
maturidade do Mestre — não apenas na técnica, mas na alma.
Comentários
Postar um comentário