Eu, Você e a Imensidão - CAPÍTULO XIII
A Conspiração da Rosa
Resumo
O
capítulo XIII apresenta um diálogo entre uma rosa e um cravo em um contexto de
inundação. A natureza, antes serena, torna-se turbulenta, refletindo as emoções
e as incertezas dos personagens. A rosa, marcada pela vaidade e insegurança,
teme pela sua existência diante da inundação. O cravo, por sua vez, demonstra
uma serenidade e aceitação diante das adversidades, comparando a vida a um rio
que flui e transforma. A inundação serve como metáfora para as incertezas da
vida e a necessidade de se adaptar às mudanças.
Palavras-chave:
inundação, natureza, vida, morte, amor, vaidade, aceitação, mudança, poesia,
diálogo.
O
Vento do Norte sopra forte, trazendo chuvas e alvoroço. Água preciosa para
fertilizar a terra, mas todo bem é acompanhado de um mal. Os riachos, cheios e
transbordantes, fluem para o rio que corta a Cidade Grande. Este, por sua vez,
se levanta e alaga boa parte das casas e dos jardins.
Sua Rosa – Ainda
bem que fui plantada em um jarro! Quero ver o que dirá um certo sabichão. E aí,
rapazinho, bebendo muito? Do jeito que o diabo gosta!!!
Seu Cravo – Sim, sim. Limpo, leve e solto! Revigorado pelo amor que vem dos Céus.
Sua Rosa – Ainda
não lhe caiu a ficha? O nível da água do rio está subindo. Você por acaso,
também, é aquático? Nem vou me admirar se neguinho começar a se afogar.
Seu Cravo – Filha
de Deus! Vou até cantar para você me entender, ouvir e calar um pouco esta
ansiedade que invade a sua alma telúrica.
“Tem dia que a gente acorda na
felicidade
Sem querer despertar, nem os olhos
abrir
Tentando abraçar o sonho da mocidade
Assim foi hoje, igual ao que foi ontem,
tudo voa
Caminhando de mãos dadas e sorrindo à
toa
Tão feliz eu me encontrava, não poderia
partir
Acordei com o gosto do teu beijo na
alma
Acordei com o teu cheiro na minha pele,
na minha mão
Acordei, com um sorriso nos lábios,
explodindo o coração
Abri a janela, abri a porta, profunda
calma
A rua vazia, cidade dormindo, lâmpada
apagada
Tudo, tudo conspirando pela volta
sonhada”.
Sua Rosa, suspirando - Ah, Seu Cravo, você e
suas poesias. Mas e se a água continuar subindo? E se a nossa casa for levada?
Seu Cravo, sorrindo - Minha querida rosa, a vida é como um rio. Às vezes, as águas nos levam
para lugares inesperados, mas sempre há novas flores para desabrochar nas
margens.
Sua Rosa, pensativa - Talvez você tenha razão.
Mas e se a água não parar de subir? E se não houver mais terra para nos
sustentar?
Seu Cravo, tentando aproxima-se da Sua Rosa - Então, minha flor, nós navegaremos juntos
nesse rio da vida. E quem sabe, encontraremos um novo jardim, mais belo do que
este.
Sua Rosa – Pronto!
Só era o que faltava, um poeta cantador. Quero ver você cantar de trás para
frente usando as mesmas estrofes e mantendo o mesmo sentido da canção.
Seu Cravo – Por
você, como diz o poeta, eu faço tudo. Então, vamos lá.
“Tentando abraçar o sonho da mocidade
Sem querer despertar, nem os olhos
abrir
Tem dia que a gente acorda na
felicidade
Caminhando de mãos dadas e sorrindo à
toa
Tão feliz eu me encontrava, não poderia
partir
Assim foi hoje, igual ao que foi ontem,
tudo voa
Acordei, com um sorriso nos lábios,
explodindo o coração
Acordei com o gosto do teu beijo na
alma
Acordei com o teu cheiro na minha pele,
na minha mão
Tudo, tudo conspirando pela volta
sonhada
Abri a janela, abri a porta, profunda
calma
A rua vazia, cidade dormindo, lâmpada
apagada”.
Sua Rosa – Ele
se amostra mesmo. Está bonito, mas não foi isso que eu pedi. Quero ver é você
colocar a última estrofe no lugar da primeira e assim em diante.
Seu Cravo – Você
é uma conspiração! Todavia, hoje por você, como diz o poeta, eu faço tudo. E
mais de uma vez. Então, vamos lá, Benzinho.
“Abri a janela, abri a porta, profunda
calma
A rua vazia, cidade dormindo, lâmpada
apagada
Tudo, tudo conspirando pela volta
sonhada
Acordei com o gosto do teu beijo na
alma
Acordei com o teu cheiro na minha pele,
na minha mão
Acordei, com um sorriso nos lábios,
explodindo o coração
Assim foi hoje, igual ao que foi ontem,
tudo voa
Caminhando de mãos dadas e sorrindo à
toa
Tão feliz eu me encontrava, não poderia
partir
Tem dia que a gente acorda na
felicidade
Sem querer despertar, nem os olhos
abrir
Tentando abraçar o sonho da mocidade”.
Sua Rosa – É!
Continue se exibindo que vai terminar morrendo afogado.
Poeta
Hiran de Melo – Sublime Príncipe do Real Segredo,
Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do
Rito Adonhiramita.

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