Eu, Você e a Imensidão - CAPÍTULO XIX
O dia dos namorados
Resumo
No Dia
dos Namorados, enquanto o jardineiro se prepara para ir à igreja, a rosa e o
cravo refletem sobre a natureza do amor, a efemeridade da beleza e a
importância das tradições. A rosa, símbolo da beleza e do amor, celebra sua
importância nas demonstrações de afeto. O cravo, por sua vez, lamenta a perda
das tradições e a substituição das flores naturais por produtos artificiais. O
diálogo entre os personagens revela a complexidade das emoções humanas e a
busca por significado em um mundo em constante mudança. A rosa e o cravo,
apesar de suas diferenças, encontram um ponto em comum na celebração da vida e
do amor.
Palavras-chave:
amor, dia dos namorados, tradições, tempo, beleza, vida, morte, poesia,
relacionamento.
Mesmo
sendo um homem sozinho, o Jardineiro estava todo arrumado para ir à Igreja.
Hoje era um dia especial. O Dia dos Namorados. E mesmo os viúvos podiam se
alegrar, agradecendo a felicidade de terem vivido ao lado de suas companheiras.
Como o Jardineiro era um homem religioso, para tudo o que não tinha explicação,
ele recorria à vontade de Deus, que é Perfeito e Justo em Seus mistérios.
Sua Rosa – Que
bom e belo dia! Dia dos namorados. Meu perfume e minhas flores simbolizam o
amor e tocam os corações das bem-amadas. Não fique triste, viu, benzinho?
Também o seu perfume estará presente no velório do Seu Miro, o sapateiro da
Cidade Grande.
Seu Cravo – Fico
feliz com a missão que lhe cabe. Pena que nos tempos contemporâneos, nem
namorado romântico use mais um cravo no bolso, sobre o coração. Em outras
épocas, assim como hoje, suas flores iriam para um jarro, enquanto meu aroma
envolvia os corações dos bem-amados. Que beleza, não?
Sua Rosa – Típica
coisa de velhinho, ficar voltado para o passado. Com a vantagem de que parte do
que afirma não passa de um desejo, fruto da imaginação. Qual o maluco que iria
colocar um cravo no bolso do paletó? Correndo o risco de manchá-lo. E mais,
deixar aquela coisa murcha aos olhos da namorada. Quanta imaginação!
Seu Cravo – Nem
queria lhe revelar o destino das suas, das nossas flores. Em outras épocas, os
cravos eram símbolo de paixão e eram cuidadosamente guardados no coração dos
amantes. Agora, ficarão sujando a água do jarro e apodrecerão até que sejam
jogadas no lixo.
Sua Rosa – Compreendo
a sua dor que o destino lhe aguarda. Assim, nem ligo para o seu olhar voltado
para o passado que nunca existiu.
Seu Cravo – A
senhorita já olhou para o seu futuro? Até no interior da casa do Jardineiro
você poderá verificar, quando por lá passar, já existe o futuro: flores de
plástico. Rosas laváveis.
Sua Rosa – Sim,
sim. Mas, sem o perfume da rosa. E com o cheiro ruim do plástico. Essa moda não
irá pegar, benzinho. Menino, seja rosa! E escute o Jardineiro cantar, viu? Ou
prefere o cheiro de plástico?
Jardineiro –
Sejas
rosa
Viva
rosa
Rosa
não morre
No
meu coração
Na
minha oração
Sua Rosa – contemos
baixinho, fazendo um coral!
Sou
andarilho no tempo
Do
meu tempo
Sou
feliz por ser assim
Jardineiro –
Sejas
Rosa nos momentos comuns
Dos
encontros, dos reencontros
Sejas
Rosa de momentos extremos
Nas
chegadas, nas partidas
Sua Rosa – Vamos,
se anime menino feio!
Sou
andarilho no tempo
Do
meu tempo
Sou
feliz por ser assim
Jardineiro –
Sejas
Rosa
Símbolo
da dor maior
Símbolo
do Amor Maior
Rosa
como nome
Rosa
sem nome
Sou
andarilho no tempo
Do
nosso tempo
Sou
feliz por ser assim
Por
estar assim
Amante
da Rosa.
Seu Cravo – Por
estar assim, Amante da Rosa? Só era o que faltava!
Poeta Hiran de Melo – Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau
32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito Adonhiramita.

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