Eu, Você e a Imensidão - CAPÍTULO XVII
A volta da Sua Rosa
Resumo
O
capítulo XVII narra o retorno da rosa ao jardim e a reativação de sua relação
com o cravo. A narrativa explora as complexidades das relações interpessoais, a
natureza do amor e a importância do diálogo. O texto sugere que as relações
humanas são marcadas por ciclos de aproximação e afastamento, e que a
comunicação é fundamental para a construção de laços mais profundos. A
natureza, com seus ciclos de vida e morte, serve como metáfora para as
experiências humanas. A volta da rosa representa uma nova oportunidade para o
casal aprofundar seus laços e construir um futuro juntos.
Palavras-chave:
amor, relacionamento, saudade, retorno, poesia, diálogo, natureza, vida, morte,
aceitação.
No
sábado, a feira foi muito boa. O Jardineiro sentiu que era a oportunidade para
faturar um bom dinheiro e aumentou os preços do que levara para vender. Vendeu
quase tudo logo nas primeiras horas. Todavia, com o passar do tempo, foi
baixando os preços. Exceto o que estava cobrando por Sua Rosa. Talvez por
capricho, talvez porque não precisava mais vender, talvez por uma razão oculta.
No final da feira, o fato é que, já tudo escurecendo, vendeu tudo, exceto a Sua
Rosa. Jogou a rosa e o jarro dentro de um caixote e partiu para um boteco. Hoje
tinha bastante dinheiro e assim foi comemorar. Só voltando para casa ao
amanhecer do dia.
Sua Rosa – Ei,
bichinho, está fazendo de conta
que nem me viu chegar?
Seu Cravo – Como
iria saber, se nem estou lhe vendo?
Sua Rosa – Engraçadinho!
Estou aqui dentro do caixote. Passei a noite inteira aqui jogada, feito uma sem
valor.
Seu Cravo – Pelo
que escuto só você não foi vendida. Enxerga agora o seu valor? Você saiu com um
olhar de despedida, na certeza de que
iria realizar a ilusão de ter um jardim só seu.
Sua Rosa – Culpa
do Jardineiro! Ele cismou de não me libertar da presença dele. E terminada a
feira, me jogou dentro de um caixote e foi encher a cara e o bucho de água
ardente. Você pode compreender?
Seu Cravo – Sim,
ele foi se punir por não ter se livrado de você. E que oportunidade perdeu! E
eu acabei pagando a conta. Estava tudo aqui tão bom. Ninguém se queixava do seu
cheiro exagerado. Eu até ouvi alguém dizer: "a gambá se foi". E não
falou baixinho, viu?
Sua Rosa – Vou
fazer de conta que não ouvi isso. Pois o que de fato aconteceu foi que, devido
à longa espera, os pés de flores, e até os pés de fumo, não conseguiram dormir
com o seu choro, à beira do desespero. Tudo, tudo, porque eu ainda não havia
voltado. Sei não! Só você mesmo para cogitar o impossível.
Seu Cravo – Ah,
ah, a noite estava linda. A luz branda da lua não impedia que víssemos as
estrelas mais distantes. Adormecemos com um vento suave e brando. Tudo
conspirando para a volta sonhada do Jardineiro. Claro, sem você.
Sua Rosa – Nisso
eu concordo. Não deveria voltar. E se voltei, a culpa não foi minha. Você
sabe de quem é a culpa. E de alguém que
morria de saudade, né?
Seu Cravo – Mas
só o que me faltava mesmo. Sentir falta da Sua Rosa! Todavia, vou deixar fluir
a poesia inspirada na sua ausência prolongada.
“Muitas vezes você chega
Como uma brisa fresca e gostosa
Deixando a minha alma livre e o meu
corpo leve.
Outras vezes você chega
Como o vento do Norte
Trazendo trovões e relâmpagos
Deixando o corpo acordado
E a alma iluminada”.
Sua Rosa – Fique
quieto. Se cuide. Mas, já que começou, conclua.
Seu Cravo – Faça
de conta que estou cantando para você, viu?
“É tempo de escuta e de visão
Tempo de revisar conceitos e atitudes
Fazendo círculos e mais círculos
entorno de sua imagem.
Procurando novos ângulos de lhe
enxergar
Como se tudo o que eu preciso saber
esteja em você
Então, o vento me deixa fixo, parado no
tempo”.
Sua Rosa – Fazer
de conta! Para quê, se o velhinho só canta para mim?
Seu Cravo –
“Fecho os antigos sentidos para deixar
Que se manifeste o novo
Não é hora de ir em frente
Sem analisar o caminho percorrido.
Sinto o seu cheiro e tem gosto fértil
Excita-me por completo e aceito
O meu destino de multiplicador da vida.
Não há como falar de você
Sem revelar o que você faz em mim
Você é assim, do jeito que Deus lhe fez
Corpo perfeito do símbolo chinês
Você é como seta que indica o caminho
do meio
O Tao da vida.
Você é a menina que veio e vem de longe
Algo que chega e parte
Vai e volta, como tudo que tem vida”.
Sua Rosa – Bicho
velho, feio e apaixonado! Só não sei para quê.
Poeta Hiran de Melo – Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau
32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito Adonhiramita.

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