Narro como sinto – Capítulo 6

Papai Noel, hoje e aqui
Na
minha infância, época de Natal era tempo de Papai Noel, tempo de presentes. A
gente ia dormir na noite do dia 24 sonhando com a manhã do dia seguinte.
Esperava encontrar debaixo da cama um presente de Papai Noel. O acordar era
motivo de muita alegria para alguns amigos e amigas. Para outros, não. No meu
caso, nunca encontrei um presente.
Existia
uma justificativa e uma esperança. O motivo da ausência do presente era devido
ao fato de que Papai Noel só deixava presentes para meninos bons. A esperança
estava em ser considerado bom daquele dia em diante. E com esta esperança
alimentei minha espera por longos anos. Ser considerado bom era, é e sempre
será a minha meta, mesmo que digam que Papai Noel não existe.
Na
nossa família, o mérito era valorizado acima de tudo. Meu pai, um
católico-maçom, incutiu em mim a importância do esforço e da dedicação. O
primeiro relógio que ganhei, após concluir o Ensino Primário, foi um marco. A
aprovação escolar não era suficiente; meu pai queria ter certeza de que eu
havia correspondido às expectativas.
Aquele foi o primeiro e último presente que recebi dele. Logo em seguida, meu pai partiu para o Oriente Eterno. A partir dali meus presentes de Natal dependeriam apenas da bondade do Papai Noel. Embora nunca tenha recebido um brinquedo embaixo da árvore, a magia do Natal sempre esteve presente em minha vida, trazida por diversos mensageiros, conhecidos ou anônimos.
Durante
toda a minha vida, sempre recebi ajuda. Meus esforços foram importantes, mas
também contei com o apoio generoso de muitas pessoas que me acolheram e me
ajudaram, muitas vezes de forma quase imperceptível. Hoje, no dia de Papai
Noel, não quero pedir presentes, apenas agradecer por tudo o que recebi. Feliz
Natal!
Hiran de Melo
24/12/2013
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