Os Mistérios Maçônicos no Simbolismo - Capítulo 08

A iluminação do Logos Vivenciada no Mito  

 

Introdução

 

Os espaços onde os maçons se reúnem, conhecidos como Templos ou Lojas, são considerados sagrados. Nesses locais, os rituais maçônicos, frequentemente sincronizados com os ciclos cósmicos, dão vida à profunda narrativa do Terceiro Grau. A rica simbologia maçônica estabelece paralelos entre o Mestre Hiram e o deus egípcio Osíris, entre a deusa Isis e o conceito cósmico da Loja, e entre o deus Horus e o maçom iniciado. Essas associações refletem a jornada iniciática, a busca pela iluminação e a conexão do indivíduo com o cosmos.

 

Ao Meio Dia


Ao atingir seu zênite, o Sol, representado por Osíris, irradia vida e energia sobre os obreiros, guiando-os em direção ao oriente, símbolo da luz e do conhecimento. Ao final dos trabalhos, cada maçom, semelhante a Horus, está preparado para testemunhar o renascimento dos ideais maçônicos, dissipando as trevas da ignorância e do egoísmo. A Loja, como Isis, celebra o ciclo eterno da vida e da morte, onde o grão profano, através da iniciação, morre para dar lugar ao trigo sagrado, simbolizando a transformação do maçom em um ser mais iluminado e virtuoso

 

A Guarda Mística do Cosmo


Durante a sessão magna dedicada à exaltação do novo Mestre, é ensinado, de forma alegórica, que a entrada e a saída da existência são marcadas pela morte. Esse ensinamento profundo visa despertar no iniciado um coração inteligente e contemplativo.

 

Desde a experiência da Câmara de Reflexões, que antecede a iniciação ao Grau de Aprendiz, preparamos o candidato para essa compreensão, simbolizando a descida aos infernos e o renascimento.

 

Na celebração dos mistérios do Martírio do Mestre Hiram, a Maçonaria busca proporcionar ao iniciado um encontro com o sagrado, um despertar para as dimensões mais profundas da existência.


Depois do anúncio da morte do Mestre Hiram, uma coluna de obreiros descobre o túmulo provisório. Nele encontra-se um ramo de acácia para identificá-lo. Encontra, também, a certeza de que a palavra de mestre não foi revelada aos que não possuíam méritos para portá-la.

 

A Palavra Perdida


Com a morte do Mestre Hiran, a palavra foi perdida. Não a senha de passe, embora tenha sido substituída. A palavra perdida será encontrada pelo maçom plenamente iniciado. Como afirmou Papus, todo sacrifício é a chave para um futuro promissor, simbolizado pelo ramo de acácia que guia os irmãos ao túmulo do Mestre.


O Simbólico e o Místico


A narrativa contida nos Mistérios do Terceiro Grau é uma ficção ou é um mito?

 

A narrativa dos Mistérios do Terceiro Grau, frequentemente questionada quanto à sua natureza factual ou ficcional, revela uma dualidade intrigante. Por um lado, pode ser vista como uma alegoria, construída para transmitir ensinamentos morais e éticos, representando a busca por uma sociedade justa e perfeita, simbolizada pelo Templo de Salomão. O martírio de Hiram, nesse contexto, seria uma metáfora para a defesa dos princípios da meritocracia.

 

No entanto, a narrativa transcende a mera representação simbólica. Ao vivenciar os rituais do Terceiro Grau, o maçom pode experimentar a história de Hiram como um mito vivo, repleto de significado espiritual. O martírio do Mestre se torna, então, um arquétipo universal, representando a jornada de autoconhecimento e transformação interior.

 

Essa dualidade entre o simbólico e o místico não é contraditória, mas complementar. A narrativa dos Mistérios do Terceiro Grau oferece tanto uma chave para a compreensão dos princípios da Maçonaria quanto uma experiência iniciática que transcende a razão. Ao vivenciar os rituais, o maçom se conecta com uma tradição milenar e aprofunda sua compreensão da natureza humana e do universo.

 

O Logos e o Mito

 

A Sessão Magna de Exaltação é uma solenidade sagrada, realizada em um ambiente consagrado, o Templo, onde evocamos a presença do Grande Arquiteto do Universo. Assim, tudo ocorre em um clima de sagrado, na Câmara do Meio, em oposição ao profano.

 

Para os mestres maçons, a narrativa dos Mistérios do Martírio do Mestre não é apenas uma história, mas uma experiência vivida e atualizada a cada exaltação. O Companheiro, ao ser elevado ao Grau de Mestre, incorpora o legado de Hiram, vivenciando simbolicamente sua morte e ressurreição. Nesse instante, o Logos se materializa no Mito, e a narrativa se transforma em experiência vivida. Não é mais uma mera história, mas a própria verdade.

 

Diante do corpo inerte do Mestre Hiram, constatamos a separação entre corpo e espírito. Em seguida, as Três Luzes da Loja se unem e, simbolicamente, erguem o corpo do Mestre Hiram, que agora se manifesta no Companheiro exaltado. O Mestre Maçom, ao vivenciar essa experiência, renova seus votos e aprofunda sua conexão com a tradição maçônica.

 

A história que era narrada, agora é vivida na celebração dos Mistérios. Não se trata de uma invenção, agora é a verdade. O mestre modelo está vivo no coração do obreiro recém-exaltado e, também, vivo nos corações de todos os mestres presentes que se sentiram renovados.

 

É importante ressaltar que a participação em uma Sessão Iniciática não garante a todos uma experiência mística. Assim, aqueles que não vivenciaram a profundidade dos Mistérios celebrados na Sessão Magna de Exaltação limitaram-se à compreensão simbólica e ao estudo da Lenda de Hiram. Perdendo, assim, a oportunidade de vivenciar o Mito e evocar os valores que o Mestre Hiram defendeu com sua própria vida.

 

Ao final dos trabalhos, todos estarão revestidos dos símbolos do Grau Três, muitos sentindo a presença do Logos, invocado pelas luzes da loja. É o Mito, no entanto, que inspira o maçom, conferindo sentido e propósito à sua jornada maçônica. O Mito é a alma da Maçonaria, enquanto o Logos é a sua razão.

 

A Lenda de Hiram transcende o Grau Três, estendendo-se em busca da palavra perdida, intimamente ligada à morte do Mestre Modelo. Para alguns, a palavra perdida é o Logos, a razão; para outros, é o Mito, a expressão do divino. Encontrar a palavra perdida representa, para alguns, a iluminação e a libertação; para outros, é a chave que abre as portas do Templo e permite contemplar a Arca da Aliança.

 

Exortação

 

Felizes aqueles que compreendem o Logos e, simultaneamente, vivenciam o Mito. Pois, enquanto o Logos dá luz à heurística dos ritos e suas liturgias, só o Mito dá Luz ao sentido existencial de pertença à Ordem Maçônica.

 

Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito Adonhiramita.


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