Os Mistérios Maçônicos no Simbolismo - Capítulo 06


Os Mistérios da Pedra Polida


A Maçonaria e a Crença em um Ser Supremo

 

Embora não tenha sido enfatizado, existem duas outras condições para que o profano possa ser recebido no templo maçônico na condição de recipiendário. Uma é a crença na existência de um ente transcendental criador do Cosmo e a outra é a crença na imortalidade da alma humana. Portanto, possuir no mínimo uma visão dual do homem. Isto é, apreender o homem como constituído de dois corpos: material (de forma perecível) e mental (alma imortal).

 

Os Fundamentos Filosóficos da Maçonaria

 

Estas exigências dão-se porque inicialmente o corpo moral maçônico tem como fundamento a existência de absolutos. Sendo Platão citado, para uns, como referencial filosófico e, para outros, Kant.

 

Para quem enxerga a Ordem Maçônica anterior à Constituição de Anderson sem dúvida Platão, revisitado por Agostinho, seria uma boa referência. Para os que se voltam apenas para a Maçonaria Moderna, Kant é uma melhor referência.

 

A Maçonaria e a Religião

 

A crença em um Ser Supremo e a imortalidade da alma são requisitos para a iniciação maçônica, o que pode levar à falsa impressão de que a Maçonaria é uma religião. No entanto, a Maçonaria não busca estabelecer dogmas ou doutrinas, mas sim proporcionar um espaço para a reflexão e o desenvolvimento pessoal. Ao contrário das religiões, que se baseiam em revelações divinas, a Maçonaria fundamenta-se na razão humana e na experiência pessoal. A Maçonaria pode complementar a fé religiosa do indivíduo, mas não a substitui.

 

Estes absolutos são muitas vezes invocados nas sessões maçônicas em forma de preces ou leitura de Passagens do Livro da Lei. Dando uma falsa impressão que as organizações maçônicas são entidades religiosas. Isto é, têm como razão última a religação da criatura ao Criador. Daí serem muitas vezes identificadas como células de uma religião maçônica com presunção de ser universal e ecumênica.

 

Dou o meu testemunho: muitas das organizações maçônicas podem ser até identificadas como para cristãs, como sugeriu o Padre Jesus Hortal no livro “Maçonaria e Igreja: conciliáveis ou inconciliáveis?” - de leitura obrigatória para os maçons católicos - onde apresenta as razões da impossibilidade de conciliar a dupla pertença: a Igreja e a Maçonaria. Todavia, nenhuma se constitui embriões de uma nova religião.

 

A Maçonaria como Escola de Aperfeiçoamento Moral

 

Que muitos maçons são católicos e colaboram entusiasticamente com as pastorais da Igreja, é um fato. Todavia, não é da natureza da maçonaria ministrar mistérios voltados à Graça. Os mistérios maçônicos, nos graus que estou considerando, estão voltados ao mérito. Afirmo mais: as organizações maçônicas simbólicas aferem os graus aos seus obreiros mediante as obras apresentadas por cada um. Os graus não são outorgados de graça.

 

O Significado Simbólico da Pedra Polida

 

Ensina o Manual de Companheiro Maçom que o objetivo dos Mistérios da Pedra Cúbica é o desenvolvimento da perfectibilidade, isto é, o polimento da alma pelos pensamentos voltados à união e pela dedicação útil ao progresso e ao bem-estar da humanidade.

 

Vamos ao ponto simbólico: há uma construção a ser erguida, um Templo à Glória do Grande Arquiteto do Universo. Como realizá-la?

 

Inicialmente, desbastando a pedra bruta que é o maçom recém-ingresso na organização. Depois polindo a pedra para ajustá-la ao encaixe com outras pedras polidas. Estes desbastar e polimentos não visam torná-las todas iguais a um dado padrão. Ao contrário, deve preservar a singularidade presente em cada obreiro. O polimento destina-se a tornarmos companheiros. Unirmos, daí a razão do simbólico, como construtores e simultaneamente, pedras da construção de uma sociedade cada vez mais justa e perfeita.

 

Nos Mistérios da Pedra Polida novas viagens serão realizadas. A primeira será feita tendo o obreiro nas mãos um maço e o cinzel para lembrá-lo que, mediante o desbastar das asperezas existentes na sua alma, foi possível deixá-la pronta para o polimento, o convívio harmonioso com todos os companheiros e mestres.

 

A segunda será feita tendo o obreiro nas mãos uma régua e um compasso, símbolos do aperfeiçoamento adquiridos nas ciências, artes e nas profissões liberais. Nem preciso mais relembrar as demais viagens (que compõem um conjunto de cinco) e os instrumentos de trabalho para revelar o óbvio, mas tantas vezes esquecido: a maçonaria é uma escola que promove estudos visando à promoção moral.

 

Os meios são simbólicos e os símbolos são os instrumentos de trabalho dos construtores de templos físicos. Não é a toa que cada maçom usa um avental, símbolo do trabalho e de uma vida dignificada pelo uso competente dos instrumentos de trabalho.

 

A Maçonaria e a Sociedade Justa e Perfeita

 

Por oportuno, retorno ao significado de Justo e Perfeito, que na maçonaria não são conceitos absolutos. O maçom deve buscar se aprimorar sempre, de modo a realizar o seu trabalho com o mais elevado estado de perfectibilidade que a ciência e arte permitem, na época em que ele vive. E, portanto, deve receber um salário justo, em conformidade com a qualidade da obra apresentada.

 

Assim a sociedade de obreiros justos e perfeitos não é uma utopia, mas uma meta a ser buscada e no dia a dia; é uma sociedade em construção. Meta sujeita ao processo histórico. Portanto, justiça e perfeição não são conceitos transcendentais, são conceitos derivados dos processos, dos meios de produção e da história do homem. 

 

O obreiro colado no Grau de Companheiro vai descobrindo que o corpo moral maçônico não depende da existência de absolutos, mas da existência da Luz da Razão Humana. Daí mais um motivo que comprova que a Maçonaria não é uma religião, embora contribua para que cada obreiro permaneça na fé original que abraçou, na sua obediência ou conversão religiosa, permaneça atuante na sua Igreja.

 

Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito Adonhiramita.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog