Os Mistérios Maçônicos no Simbolismo - Capítulo 02

A doutrina moral maçônica

A doutrina moral maçônica é ministrada mediante uma pedagogia em desuso nas escolas hodiernas. Só ainda utilizada nas organizações esotéricas, das quais a maçonaria é uma delas.  Esta pedagogia é conhecida pelo nome de Mistérios (com esta palavra estou me referindo a um conjunto de procedimentos). De modo que a doutrina maçônica é ensinada através da celebração de mistérios específicos para cada grau, envolvendo discursos, cerimônias litúrgicas e experiências vivenciais.

Na acepção popular, o mistério é algo que a inteligência humana, até o momento, não conseguiu explicar ou compreender. No entanto, nos Mistérios Maçônicos, a perspectiva é diferente: a inteligência do obreiro é convidada a utilizar a Razão para desvendar os enigmas e conduzir sua jornada, sempre orientada pelos princípios da Moral Maçônica.

A Igreja Católica, como outras instituições religiosas, utiliza ritos para transmitir sua doutrina. No entanto, os ritos religiosos podem ser utilizados para diversos fins. Um exemplo claro disso é a exploração comercial da Paixão de Cristo pela indústria cultural, como ocorre na encenação realizada em Nova Jerusalém - PB. Essa encenação, mais próxima do entretenimento do que da celebração religiosa, é direcionada tanto a crentes quanto a não crentes, visando o lucro e a emoção do público.

Nas organizações maçônicas, as palavras 'justo' e 'perfeito' são frequentemente utilizadas como senha de reconhecimento. No entanto, na Maçonaria, baseada na razão, esses conceitos não são absolutos e imutáveis, mas sim construídos historicamente e culturalmente. São as experiências históricas e sociais que moldam o significado dessas palavras ao longo do tempo.

Por exemplo, a concepção de justiça evoluiu ao longo da história. Enquanto no passado predominava a ideia de vingança, hoje busca-se a reparação e a reintegração do indivíduo à sociedade. A justiça baseada na punição cedeu espaço para uma justiça restaurativa, que busca a reconciliação e a transformação.

O que se considera 'perfeito' varia de acordo com a época e a cultura, ao contrário de um padrão divino que seria universal e eterno. O conceito de perfeição é construído socialmente e, portanto, é sujeito a mudanças ao longo da história.

Imagine uma sociedade em que a reprodução de espécie seja a prioridade. No momento da escolha de uma companheira, o homem poderá valorizar a mulher que possua seios apropriados para amamentar os filhos. Já em uma sociedade voltada para a valorização do prazer sexual, da libido, o homem poderá valorizar outras partes do corpo, ou mesmo outras formas. E, claro, o primeiro tipo de sociedade pode se transformar no segundo tipo. Portanto, o padrão de perfeição pode ser substituído.

O que se considera perfeito para uma determinada finalidade pode mudar com o tempo, mesmo que a finalidade em si não se altere. A bicicleta de alta velocidade que possuía, Zeus 2000, considerada o ápice da tecnologia em sua época, hoje não encontra compradores interessados em utilizá-la em competições. Isso demonstra como os padrões de perfeição são relativos e dependem do contexto tecnológico e cultural de cada momento. Assim, aquela que foi o objeto de desejo de todo velocista; hoje, só se presta para colecionador.

Na Maçonaria, o conceito de perfeição é mais bem entendido como perfectibilidade, uma busca constante por aprimoramento. O maçom é um artesão que lapida suas virtudes, buscando sempre executar seu ofício com maior qualidade. As palavras-passe, como 'justo' e 'perfeito', servem como lembretes dessa jornada, sem pretender definir um estado final e absoluto. O maçom busca a justiça, mas reconhece que a perfeição é um ideal a ser perseguido, e não um estado alcançado.

Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito Adonhiramita.

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