
A
doutrina moral maçônica
A doutrina moral maçônica é ministrada
mediante uma pedagogia em desuso nas escolas hodiernas. Só ainda utilizada nas
organizações esotéricas, das quais a maçonaria é uma delas. Esta pedagogia é conhecida pelo nome de
Mistérios (com esta palavra estou me referindo a um conjunto de procedimentos).
De modo que a doutrina maçônica é ensinada através da celebração de mistérios
específicos para cada grau, envolvendo discursos, cerimônias litúrgicas e
experiências vivenciais.
Na acepção popular, o mistério é algo
que a inteligência humana, até o momento, não conseguiu explicar ou
compreender. No entanto, nos Mistérios Maçônicos, a perspectiva é diferente: a
inteligência do obreiro é convidada a utilizar a Razão para desvendar os
enigmas e conduzir sua jornada, sempre orientada pelos princípios da Moral
Maçônica.
A Igreja Católica, como outras
instituições religiosas, utiliza ritos para transmitir sua doutrina. No
entanto, os ritos religiosos podem ser utilizados para diversos fins. Um
exemplo claro disso é a exploração comercial da Paixão de Cristo pela indústria
cultural, como ocorre na encenação realizada em Nova Jerusalém - PB. Essa
encenação, mais próxima do entretenimento do que da celebração religiosa, é
direcionada tanto a crentes quanto a não crentes, visando o lucro e a emoção do
público.
Nas organizações maçônicas, as palavras
'justo' e 'perfeito' são frequentemente utilizadas como senha de
reconhecimento. No entanto, na Maçonaria, baseada na razão, esses conceitos não
são absolutos e imutáveis, mas sim construídos historicamente e culturalmente.
São as experiências históricas e sociais que moldam o significado dessas
palavras ao longo do tempo.
Por exemplo, a concepção de justiça
evoluiu ao longo da história. Enquanto no passado predominava a ideia de
vingança, hoje busca-se a reparação e a reintegração do indivíduo à sociedade. A
justiça baseada na punição cedeu espaço para uma justiça restaurativa, que
busca a reconciliação e a transformação.
O que se considera 'perfeito' varia de
acordo com a época e a cultura, ao contrário de um padrão divino que seria
universal e eterno. O conceito de perfeição é construído socialmente e,
portanto, é sujeito a mudanças ao longo da história.
Imagine uma sociedade em que a
reprodução de espécie seja a prioridade. No momento da escolha de uma
companheira, o homem poderá valorizar a mulher que possua seios apropriados
para amamentar os filhos. Já em uma sociedade voltada para a valorização do
prazer sexual, da libido, o homem poderá valorizar outras partes do corpo, ou
mesmo outras formas. E, claro, o primeiro tipo de sociedade pode se transformar
no segundo tipo. Portanto, o padrão de perfeição pode ser substituído.
O que se considera perfeito para uma
determinada finalidade pode mudar com o tempo, mesmo que a finalidade em si não
se altere. A bicicleta de alta velocidade que possuía, Zeus 2000, considerada o
ápice da tecnologia em sua época, hoje não encontra compradores interessados em
utilizá-la em competições. Isso demonstra como os padrões de perfeição são relativos
e dependem do contexto tecnológico e cultural de cada momento. Assim, aquela
que foi o objeto de desejo de todo velocista; hoje, só se presta para
colecionador.
Na Maçonaria, o conceito de perfeição é
mais bem entendido como perfectibilidade, uma busca constante por
aprimoramento. O maçom é um artesão que lapida suas virtudes, buscando sempre
executar seu ofício com maior qualidade. As palavras-passe, como 'justo' e
'perfeito', servem como lembretes dessa jornada, sem pretender definir um
estado final e absoluto. O maçom busca a justiça, mas reconhece que a perfeição
é um ideal a ser perseguido, e não um estado alcançado.
Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo
e Aceito
e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito
Adonhiramita.
Comentários
Postar um comentário