Os Mistérios Inefáveis - Capítulo 06

Os Mistérios do Cavaleiro Eleito dos
Nove, Grau 9
Introdução
A narrativa que encerra os valores que a Ordem Maçônica
defende é plena de alegorias e referências ao Reino de Salomão e ao ciclo
solar. A loja de perfeição e os seus onze graus, ou níveis de iniciação, ou
níveis de revelação dos valores correspondem ao amadurecimento que se espera de
cada obreiro, como condição para que lhe seja revelado os mistérios. O acesso
ao conhecimento que encerra o Grau 9 é sempre dado mediante uma sessão magna de
iniciação e um local fechado.
O fechamento dos sentidos ao cotidiano é uma exigência sem a
qual não é possível os Mistérios serem vividos no coração de cada iniciado. A
consequência imediata do não atendimento a esta exigência é a perda de tempo e
da oportunidade de evoluir. Assim, quem não deixar na “Sala dos Passos
Perdidos” ou no Átrio, como última opção, as suas ocupações e preocupações
profanas não estará efetivamente participando de um processo iniciático.
A Palavra Estruturante
É fundamental lembrar que os mistérios maçônicos são permeados
pela Palavra Estruturante, que guia a construção do Templo interior. A
narrativa do sacrifício do Mestre Arquiteto Hiram, simbolizado por seu corpo
inerte, é central nessa construção, representando a renúncia pessoal em prol de
um ideal maior: a edificação de uma sociedade baseada na liberdade,
fraternidade e igualdade.
A Loja Maçônica
Em vida, Hiram era devotado ao Rei, fonte primordial de toda
sabedoria, e trabalhou incansavelmente para materializar a vontade real na
construção do Templo. Para organizar essa grandiosa obra, ele instituiu a Loja
Maçônica.
Embora seja um conceito básico, vale ressaltar que a Loja
Maçônica não se limita ao simples encontro de seus membros para o desempenho de
suas funções. Ela é um organismo vivo, místico e dinâmico, que nutre seus obreiros
com entusiasmo e os inspira a crescer espiritualmente. A Viúva, como alegoria
da Loja, simboliza a necessidade de proteção e preservação dos valores
maçônicos.
Abertura da Loja
No momento da abertura da Loja, recorremos ao Liber
Sapientiae, um conjunto de ensinamentos atribuídos ao Rei e registrados em
nosso Livro Sagrado. Essas palavras carregam um rico simbolismo e um profundo
significado místico, que tem sido objeto de estudo e interpretação por muitos
maçons ao longo dos séculos. No entanto, este texto não se propõe a esgotar
esse tema, mas sim a compartilhar uma perspectiva pessoal sobre essa
experiência iniciática.
A Lenda de Hiram
Na celebração dos Mistérios do Cavaleiro Eleito dos Nove a
Narrativa de Hiram é revisitada reforçando que a tragédia da vida se revela na
não aceitação das Regras.
A história de Hiram nos convida a refletir sobre nossa
própria jornada maçônica. Assim como os assassinos de Hiram, podemos ser
tentados a buscar atalhos e a desvalorizar o processo de aprendizado gradual.
Ao compreender as lições contidas nessa narrativa, podemos fortalecer nossa
determinação em seguir o caminho da virtude e do mérito.
Como a narrativa é bastante conhecida dos valorosos irmãos,
apresento uma versão, com liberdade literária, objetivando revelar os valores
que estão presentes na iniciação aos Mistérios do Cavaleiro Eleito dos Nove.
Saímos, formando uma tropa, em um
número de guerreiros múltiplo de três. A missão a nós confiada consistia em
encontrar e prender o imérito que pretendera, com o uso da força, conhecer a
palavra de mestre. Apenas isso, não nos cabia fazer justiça com as próprias
mãos. O imérito seria julgado pelo Rei.
Apenas pelo menino escolhido antes do
nascimento do homem. Depois quando adulto - ungido pelos sacerdotes como divino
representante de Deus na Terra - seria o único Rei, o senhor da vida e da
morte.
Tudo tão simples. Mas, o imérito já
havia sido julgado por todos nós. E, ao encontrá-lo, a ira se fez maior do que
o sentimento do dever: "Matei-o com as próprias mãos!" A vingança foi
colocada acima da Justiça.
Minhas mãos estavam manchadas de sangue
do traidor da Ordem. Ele recebeu o castigo merecido, cometera um erro fatal,
havia matado o grande mestre, arquiteto e único responsável pelas obras da
construção do Templo do Povo Eleito. Entretanto, agora, eu teria que pagar pelo
meu próprio erro, ao matá-lo por
vingança.
Meus companheiros estavam conscientes
da situação. Eu havia exorbitado das minhas funções. E, mais, havia me comportado como um rei.
Enquanto que só ao nosso Rei cabia a competência de julgar o destino de um
homem.
O erro era muito grave. Até porque a
responsabilidade de trazer preso e vivo o imérito era da tropa. De toda a
tropa. Assim, todos poderiam ser punidos. A tropa falhou devido ao escândalo de um dos seus membros, eu.
Estávamos todos tristes e haveríamos
logo que partir de volta, levando a cabeça do imérito para entregá-la ao Rei e
por ele sermos severamente julgados.
Havia alternativas. Poderíamos, por
exemplo, ter enterrado o dito cujo e declarar que a missão não havia logrado
êxito. Ou outra qualquer solução mais elaborada. Todavia, qualquer alternativa
nos tiraria a condição de servidor na Glória do Senhor nosso rei, ao ferir a
nossa honra.
Assim foi que, sem ter sido uma só
palavra pronunciada, cada guerreiro sujou o seu avental com o sangue do
imérito. O mesmo se fez com as espadas. A tropa era unitária. O traidor não havia sido morto por um
guerreiro. Mas, simbolicamente pela tropa.
Em frente ao trono deixamos a cabeça do
traidor cair. Nossas espadas e aventais sujos de sangue foram ali, também,
depositados.
O soberano compreendeu que havíamos
cometido um grave erro. A missão não fora corretamente cumprida. Todavia, os
seus guerreiros compreenderam e aguardavam humildemente, e fielmente, o seu
julgamento final.
O sábio Rei os perdoou, sob o
juramento, com mãos postas sobre o Livro da Lei, que dali por diante não mais
permitiriam que a Vingança fosse superior à Justiça. E, então, foram
consagrados ao Grau de Eleito dos Nove.
Conclusão
O número três, presente na organização da tropa em grupos de
três, simboliza a perfeição e a harmonia. No entanto, a quebra dessa harmonia,
representada pelo ato de vingança, leva à desordem e à punição. A decisão de
todos os membros da tropa de manchar seus aventais com o sangue do traidor
simboliza a assunção coletiva da responsabilidade pelos atos de um indivíduo,
reforçando a importância da fraternidade e da unidade.
Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo
e Aceito
e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito
Adonhiramita.
Alerto
que o texto acima apresentado é uma provocação ao seu coração inteligente. Cada
parágrafo foi redigido como um convite à reflexão, e não como um ensinamento
para ser decorado e tê-lo como um dogma. A título de exemplo, apresento uma possível análise e interpretação do parágrafo relativo a Conclusão.
Anexo: Análise
e Interpretação da Conclusão
A conclusão apresentada
oferece uma interpretação profunda e simbólica da narrativa maçônica, com foco
no número três, na quebra da harmonia e nas consequências da vingança. A
análise a seguir esclarece esses aspectos.
1. O Número Três
Tríade
divina: O número três está intrinsecamente ligado à ideia da
trindade divina em muitas religiões e filosofias. Na maçonaria, ele pode
representar o equilíbrio entre o corpo, a alma e o espírito, ou entre o
passado, o presente e o futuro.
Os
três pilares da maçonaria: Força, Beleza e Sabedoria são
frequentemente citados como os pilares da maçonaria. A organização da tropa em
grupos de três pode aludir a essa tríplice divisão, sugerindo que a força da
união reside na harmonia entre esses três atributos.
Os
três graus simbólicos: A divisão da maçonaria em três graus
simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre) também reflete a importância do
número três. Cada grau representa um estágio de evolução espiritual e moral.
2. A Quebra da Harmonia e a Vingança
A
lei do karma: A vingança, ao quebrar a harmonia,
desencadeia uma série de consequências negativas, tanto para o indivíduo quanto
para o grupo. Essa ideia encontra paralelo na lei do karma, presente em
diversas tradições filosóficas e religiosas.
A
importância da justiça: A justiça, na maçonaria, não se
confunde com a vingança. A busca pela justiça implica em agir de forma
imparcial e equitativa, buscando a reparação dos danos causados.
O
papel do livre-arbítrio: A decisão de cada membro da tropa de
manchar seus aventais representa um ato de livre-arbítrio, demonstrando a
importância da responsabilidade individual e da consciência coletiva.
3 A Fraternidade e a Unidade
O
vínculo fraternal: A decisão de todos os membros da tropa de
assumir a culpa pelo ato de um indivíduo reforça o conceito de fraternidade
maçônica. Os maçons são unidos por laços profundos de amizade e lealdade.
A
força da unidade: A união da tropa, mesmo diante da
adversidade, demonstra a força que reside na solidariedade e na cooperação.
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