Os Mistérios Inefáveis - Capítulo 11

Perfeito e Sublime Maçom, Grau 14
Introdução
Quando
chegou o dia em que os meus Mestres Superiores entenderam que eu estava pronto
para receber o Grau de Perfeito e Sublime Maçom, confesso, achei que ainda era
muito cedo. Completar os meus estudos e receber as últimas instruções que
constituem a Loja de Perfeição é um momento de sincera humildade e afetuosos
agradecimentos pelas Graças Alcançadas.
É
comum que durante a celebração dos mistérios do Grau 14, o iniciado tenha a
sensação de que este grau sintetiza os aprendizados dos níveis anteriores. De
fato, há uma confluência de conhecimentos e experiências. No entanto, a
compreensão do Grau 14 como um mero resumo é insuficiente. Os mistérios do
Perfeito e Sublime Maçom revelam uma dimensão mais profunda, uma integração
holística que transcende a soma das partes, convidando o iniciado a uma
experiência única e transformadora.
Visões do Mundo
Há
dois paradigmas a serem considerados: a de um Cosmos estático, obra acabada de
um Criador perfeito, e a de um Cosmos dinâmico, em constante evolução, fruto de
uma força criadora eterna, em consonância com dinâmica da vida.
Segundo
Platão, além do mundo sensível que percebemos, existe um mundo inteligível
composto por Formas perfeitas e imutáveis. As coisas que vemos e tocamos são
apenas reflexos imperfeitos dessas Formas. Por exemplo, a ideia de "homem"
é uma Forma perfeita, e todos os homens individuais são participações dessa
Forma.
A
segunda perspectiva, em contraste com a platônica, valoriza a singularidade de
cada indivíduo e a relação que os une. A espécie humana é compreendida como um
conjunto de seres únicos, unidos por um vínculo biológico e histórico. Essa
relação, embora dinâmica e sujeita a transformações, é o que nos permite
identificar um grupo de indivíduos como pertencentes à mesma espécie.
Qual a cosmovisão presente nos
Mistérios Maçônicos?
A
cosmovisão maçônica pode ser resumida como uma visão otimista e progressista da
humanidade, que valoriza o conhecimento, o trabalho, a evolução e a
fraternidade. A Maçonaria oferece um caminho para o desenvolvimento pessoal e
social, incentivando seus membros a buscar a perfeição, não como um estado
final, mas como um processo contínuo de aprendizado e crescimento.
A loja de perfeição
A Loja
de Perfeição é vista como um espaço de trabalho conjunto, onde os maçons se
auxiliam mutuamente na busca por um aprimoramento constante. A perfeição, nesse
contexto, é um objetivo a ser perseguido em conjunto, e não um estado final a
ser alcançado individualmente.
Vejamos
as principais características que o conceito de perfeição encerra.
De
novo: a Maçonaria não apresenta um modelo de perfeição estático ou acabado. A
perfeição é um processo contínuo de aprendizado e desenvolvimento, e não um estado
a ser atingido. A citação de Jesus, no Evangelho de Mateus, reforça essa ideia,
indicando que a perfeição é uma jornada espiritual e não um destino.
A
palavra perfeição não está associada a um modelo, um gabarito. Ser perfeito,
por exemplo, como o Mestre Jesus foi.
“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que
tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.”
Desde os Mistérios do Grau de Companheiro, que
a Maçonaria nos convida a refletir sobre
o significado mais profundo da palavra "perfeito". Ser perfeito não significa ser impecável ou sem defeitos, mas sim estar em constante
busca pela melhoria pessoal e espiritual. O Companheiro Maçom, por exemplo, é aquele que busca aperfeiçoar suas qualidades e superar seus defeitos,
a fim de se tornar um obreiro que colabora com a construção do templo coletivo.
A
Maçonaria, especialmente nos Altos Graus, enfatiza que a busca pela perfeição
não está ligada a ganhos materiais, fama ou satisfação de curiosidades. A
verdadeira recompensa está no desenvolvimento pessoal e espiritual.
A Perfeição e a Maçonaria
A
busca pela perfeição na Maçonaria está intrinsecamente ligada aos seguintes
princípios:
ü A perfeição se manifesta na capacidade
de amar ao próximo e de construir relações fraternas;
ü A busca pela verdade é fundamental para
o desenvolvimento espiritual e moral do maçom;
ü A perfeição está ligada à prática da justiça
em todas as suas formas;
ü O maçom perfeito é aquele que é capaz
de tolerar as diferenças e respeitar as opiniões alheias.
Em
suma, a perfeição na Maçonaria não é um estado final, mas um processo contínuo
de crescimento e desenvolvimento. É uma jornada espiritual que exige dedicação,
trabalho e humildade. Ao buscar a perfeição, o maçom se torna um ser humano
mais completo, mais justo e mais fraterno.
Perfectibilidade
A
perfectibilidade na Maçonaria é um processo dinâmico e individualizado. Ela não
se trata de uma competição para ser o melhor, mas sim de um compromisso com o
crescimento pessoal e com a contribuição para um mundo melhor. Ao buscar a
perfeição, o maçom se torna um agente de transformação, capaz de influenciar
positivamente a sociedade em que vive.
Rito
de passagem
Um
rito de passagem muito comum é o batismo cristão. A passagem de um pecador para
o estado de pureza espiritual. Neste o candidato pode recebê-lo sem ter
consciência da doutrina da Igreja.
Na
celebração dos Mistérios do Perfeito e Sublime Maçom a ideia de batismo se faz
presente, no sentido de símbolo da renovação do pensamento e purificação da
vontade, e só pode ser oferecido a quem tem pleno conhecimento do fim a que se
destina a passagem.
Uma
fórmula bastante comum resume a diferença: O batismo cristão é fundamentado na
Graça, o batismo maçônico é no mérito.
Nesta fórmula
enfatiza que antes de ser iniciado no Grau de Sublime e Perfeito Maçom, o
recipiendário precisa demonstrar ter conhecimento dos símbolos e dos seus
significados. Proficiência no saber exotérico e no esotérico.
A
comparação entre o batismo cristão e o maçônico, aqui apresentada, nos permite
identificar algumas distinções cruciais:
No
cristianismo, o batismo pode ser administrado a crianças ou a adultos que ainda
não possuem uma compreensão completa da doutrina. Na Maçonaria, o
"batismo" simbólico é reservado para aqueles que já demonstraram um
profundo conhecimento da cosmovisão maçônica, após terem passado por diversos
graus e iniciado um processo de autoconhecimento.
Enquanto
o batismo cristão enfatiza a graça divina como fonte de purificação e
regeneração, o batismo maçônico representa uma renovação interior alcançada
através do esforço pessoal e do conhecimento. É uma espécie de renascimento
espiritual que ocorre como resultado do aprendizado e da prática dos princípios
maçônicos.
Assim, o batismo cristão fundamenta-se na fé e
na graça divina, enquanto o batismo maçônico se baseia no mérito pessoal e no
conhecimento adquirido. O maçom deve demonstrar sua capacidade de aplicar os
ensinamentos da Ordem em sua vida cotidiana.
Um alerta
A
afirmação de que o batismo cristão é fundamentado na graça e o maçônico no
mérito é uma simplificação útil para entender a diferença entre as duas
tradições. No entanto, é importante ressaltar que:
Embora
a Maçonaria enfatize o esforço
pessoal, ela não nega a existência
de uma força superior ou de uma
inteligência cósmica. Muitos maçons encontram inspiração em princípios
espirituais e religiosos, e a graça divina pode ser vista como um complemento
ao esforço individual.
A fé na humanidade, no progresso e na
capacidade de transformação do
indivíduo são elementos fundamentais da Maçonaria. Nesse sentido, a fé também
desempenha um papel importante no processo de iniciação.
A Palavra Perdida
Nos
Mistérios do Martírio do Mestre, Grau 3, é anunciado o enigma da Palavra
Perdida. Esse enigma constitui o cerne de todos os mistérios maçônicos inefáveis.
A pergunta que surge é: se todos os
mestres a conheciam, como ela se perdeu?
Há várias formas de interpretar a
pergunta e, portanto, várias são as respostas. Apresento três, sem ordem de
prioridade, nem de grau de admissibilidade, e sem esgotar o universo das
respostas. Apenas para provocá-lo a revelar a sua.
Uma
primeira interpretação,
de natureza política e administrativa, sugere que a Palavra Perdida seria uma
antiga senha de reconhecimento entre os mestres. Com o passar do tempo e a
ascensão de novos líderes, essa senha teria caído em desuso e sido esquecida
por muitos. Entretanto, preservado por um grupo seleto, constituindo uma Ordem
Esotérica dentro da Ordem Exotérica, de modo que a Palavra Original vem sendo
revelada, mas apenas aos eleitos. Para os demais ela continua perdida.
Uma segunda interpretação, mais mística, associa a Palavra
Perdida à Palavra Estruturante, um poder inefável que só pode ser compreendido
em um nível profundo de iniciação. Essa palavra seria tão profunda e pessoal
que cada maçom a experimentaria de forma única, em um nível interior.
Uma
terceira interpretação,
inspirada na tradição hebraica, relaciona a Palavra Perdida ao nome inefável de
Deus. A ideia de que um nome humano possa capturar a essência divina é
considerada uma blasfêmia. Assim, a Palavra Perdida representaria a
impossibilidade de nomear o inominável. Nunca é demais enfatizar: a religião
hebraica obedecer a vontade de Deus, nunca conhece-lo, nomeá-lo. Portanto, se
os graus inefáveis no Rito Escocês Antigo e Aceito forem associados à tradição
hebraica, registrada na Bíblia Hebraica, o nome de Deus de fato é inacessível.
Neste sentido, uma Palavra Perdida.
Retornando a celebração dos Mistérios
Fui
conduzido ao Altar das Oblações, pois antes de oferecer a minha vida em
sacrifício à Ordem, era necessário que a pureza da minha alma se fizesse
presente. Vi um grande machado e uma enorme faca. Fui convidado a postar-me de
joelho e nesta atitude apresentei o meu Testamento, nele estava escrito que
jamais trairia os meus irmãos. Levantei-me e, em seguida, mergulhei no Mar de
Bronze. O Batismo das Águas refrescou o meu Coração Novo. Aos retira-me do Mar
de Bronze, mergulhei nas nuvens perfumadas por sagrados incensos, onde o
Batismo do Fogo iluminou a Inteligência
do meu Coração.
Fui urgido, na presença dos Reis
Salomão e Hiram, com os produtos da terra (vinho, azeite e trigo). E com a
unção foi-me assegurado Pensamentos Corretos, Palavras Úteis e Sentimentos
Justos. Assim como me foi reservado o privilégio de ser Investido e Consagrado
à pertença ao Grau de Perfeito e Sublime Maçom.
Com um grande e imenso abraço, do qual
não se deseja sair, recebido fui. Nos braços da Imensidão senti a imanência presente
no coração do maçom.
Era um
domingo tão lindo. Sorrisos familiares, apertos de mãos reais e simbólicos,
tudo junto e misturado, me transladaram para ouvir o cântico do poeta Dani
Black, na canção intitulada Maior.
“Eu
sou maior do que era antes
Estou
melhor do que era ontem
Eu sou
filho do mistério e do silêncio
Somente
o tempo vai me revelar quem sou
As
cores mudam
As
mudas crescem
Quando
se desnudam
Quando
não se esquecem
Daquelas
dores que deixamos para trás
Sem
saber que aquele choro valia ouro
Estamos
existindo entre mistérios e silêncios
Evoluindo
a cada lua a cada sol
Se era
certo ou se errei
Se sou
súdito se sou rei
Somente
atento à voz do tempo, saberei.”
Encerro
aqui o meu testemunho, receba um Triplo e Fraterno Abraço deste obreiro que,
quando menino, foi apresentado ao Templo da Sereníssima Loja Maçônica
Regeneração Campinense pelo Cavaleiro Kadosh Severino Herculano de Melo, meu
pai, na certeza de ser acolhido como Lawton e na esperança de um dia ser
iniciado maçom.
Exortação
O Grau
14 representa um marco importante na vida de um maçom. Ao alcançar esse grau, o
maçom se compromete a continuar sua jornada em busca da perfeição, inspirando e
auxiliando seus irmãos nessa mesma busca. Que cada um de nós possa encontrar no
Grau 14 a força e a inspiração necessárias para construir um mundo melhor.
Feliz
aquele que é reconhecido como maçom!
Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo
e Aceito
e Cavaleiro Noaquita, Grau 13 do Rito
Adonhiramita.
Alerto que o texto acima apresentado é uma
provocação ao seu coração inteligente. Cada parágrafo foi redigido como um
convite à reflexão, e não como um ensinamento para ser decorado e tê-lo como um
dogma. A título de exemplo, apresento uma possível análise e
interpretação do parágrafo relativo a exortação.
Anexo A: Análise e Interpretação da Exortação
A exortação
apresenta uma visão idealizada e simbólica do Grau 14 na Maçonaria, destacando
seus principais aspectos e significados:
ü O Grau 14 é posicionado como um ponto
crucial na trajetória maçônica, representando um novo estágio de compromisso e
desenvolvimento pessoal;
ü A frase enfatiza o caráter contínuo da
jornada maçônica, onde a busca pela perfeição é um ideal constante. O Grau 14
serve como um lembrete desse objetivo;
ü Ao atingir o Grau 14, o maçom assume um
papel mais ativo na comunidade maçônica, inspirando e auxiliando outros membros
em suas jornadas;
ü A frase vincula os ensinamentos
maçônicos à ideia de um mundo melhor, sugerindo que a busca pela perfeição
individual contribui para um bem maior.
Interpretações e Conotações:
ü A frase destaca o compromisso do maçom
em continuar seu desenvolvimento pessoal e em servir à comunidade;
ü Embora a Maçonaria seja uma organização
laica, a busca pela perfeição e a construção de um mundo melhor podem ter
conotações espirituais para muitos maçons;
ü A ênfase na ajuda mútua e na inspiração
demonstra o valor da fraternidade maçônica.
Anexos
B: Questionamento essencial e permanente
Meu irmão sóis maçom?
Na
resposta maçônica a esta questão se encontra a chave de acesso aos Mistérios.
Reconhecimento Coletivo: A resposta maçônica a essa pergunta
enfatiza a importância do reconhecimento do coletivo. Ser maçom não é apenas
uma declaração, mas sim um status conferido pela Loja, pelos irmãos e pela
própria vivência dos princípios maçônicos.
Autenticidade: A resposta exige que o indivíduo
demonstre, através de suas ações e conhecimento, que é digno de ser chamado de
maçom. Não basta portar uma credencial, é preciso viver os valores da Ordem.
O que fizeste como Aprendiz Maçom?
Na
resposta maçônica a esta outra pergunta se expressa o nível de consciência dos
limites e das potencialidades que o recipiendário é possuidor. A necessidade da
retirada do véu para que o obreiro se veja e seja visto como aprendiz de
maçonaria.
A
pergunta busca avaliar o nível de autoconhecimento do indivíduo. Como Aprendiz,
o maçom deve ter iniciado um processo de introspecção, buscando compreender
seus limites e potencialidades.
A
resposta adequada deve demonstrar a humildade e a consciência de que o
aprendizado é um processo contínuo.
Depois que trabalhastes na Pedra Bruta,
o que mais fizestes?
Ao
desbasta-me pude me ver por inteiro, tal uma pedra polida. Acolhi o que eu vi,
e assim pude amar o que se apresentava na sua singularidade, única e bela como
ela era. Nesta condição pude olhar outras pedras de formatos diferentes e na
diferença pude melhor me conhecer e, assim conhecendo, me foi possível
desenvolver a capacidade de tolerar o outro tal qual ele é. Somos companheiros,
pedras polidas, prontas para tomar parte na Construção do Templo Maçônico.
A
resposta indica que o indivíduo passou por um processo de transformação,
semelhante ao polimento de uma pedra bruta. Através do trabalho na Loja, ele se
conheceu melhor e desenvolveu qualidades como auto aceitação, tolerância e
compaixão.
A
imagem da pedra polida simboliza a união dos maçons, que, apesar de suas
diferenças, trabalham juntos para construir o Templo Maçônico, representando a
sociedade ideal.
Anexos
C: Os Símbolos e Seus Significados
O Mar de Bronze: Representa a purificação e a
renovação, convidando o maçom a abandonar os vícios e a buscar a pureza de
coração.
O Fogo: Simboliza a iluminação e a sabedoria,
indicando a necessidade de cultivar a mente e o espírito.
A Pedra Bruta e a Pedra Polida: Representam a jornada do
autoconhecimento e a transformação pessoal, da condição imperfeita para a
perfeição.
O Templo de Salomão: Simboliza a harmonia, a sabedoria e a
beleza, representando o ideal a ser alcançado pelo maçom.
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