Os Graus Inefáveis  – Sejas bem-vindo

Introdução

O rito maçônico lembra ou atualiza semanalmente o Mito da Construção do Templo Modelo. Atualizar significa transportar os obreiros ao tempo original da criação do cosmo. O Templo é construído, como já lembramos, seguindo-se rigorosamente as determinações estabelecidas no projeto pelo Mestre Hiram, mas que emanaram do Grande Arquiteto do Universo, conforme o Rei Salomão.

 

A construção se dá obedecendo a uma hierarquia de cargos em que cada um desempenha a sua função conforme a sua qualificação. A cada um conforme suas aptidões e os seus méritos. À medida que cada obreiro evolui lhe é proporcionado a oportunidade de exercer um novo cargo. O avanço na hierarquia se dá pelo mérito.


O critério do mérito já foi anunciado pelo Mestre Jesus quando indagado quem era o maior entre os seus discípulos. É o critério do serviço para a promoção de todos e não apenas para o reconhecimento pessoal.


Esta dinâmica da construção do Templo Modelo deve ser aplicada à construção do material do Templo Maçônico. Deve, também, ser extensiva à construção do lar de cada maçom, de cada família maçônica, de cada oficina de trabalho profissional.

 

Existe, também, um duplo a ser observado: a construção material do Templo Físico e a construção espiritual do Templo Interior. A construção do Templo Físico é uma construção coletiva. A espiritual é uma construção pessoal. Mas, ambas se complementam e se ajudam.

 

Na dinâmica da Lenda de Hiram os trabalhos vão transcorrendo dentro de um clima de perfeita harmonia. Quando de repente surge a ambição, a pressa, a urgência, o Ego Inflamado, vindo perturbar a ordem dos trabalhos da construção do Templo Modelo. Veio mediante a ação de um grupo de revoltosos. Desta ação, decorre toda a dramaticidade da Lenda de Hiram. A postura ética do mestre, a coragem na defesa da honra, a pena máxima pela sua autenticidade.

 

Da ordem de distribuição dos trabalhos e da sua hierarquia, derivou a revolta dos que não se beneficiavam dela. Um número múltiplo de três obreiros, colados no grau de companheiro, se insurge contra a Ordem na Construção do Templo. Desejavam obter pela força, e não pelo saber, a palavra sagrada só confiada aos obreiros colados no Grau de Mestre.

 

Dos revoltosos, três se encarregam da missão de tomar pela força a palavra que revela o secreto da Ordem, resultando no martírio do Mestre Perfeito e na perda da Palavra Sagrada. Em decorrência, outro conduziria os trabalhos e, para tanto, uma nova palavra foi escolhida.

 

O que poderemos apreender desta narrativa? Em geral encontramos uma infinidade de respostas, conforme o entendimento dos escritores maçons (ou não) que se dedicam a estudar a Ordem Maçônica. É como se a Lenda de Hiram fosse apreendida em conformidade com o nível de consciência de cada um. Como os níveis são diversos, diversas são as interpretações.

 

Alguns obreiros quando exaltados ao Grau de Mestre ficam satisfeito com a palavra substituta, por mais que seja sugestivo o lembrete de que "a carne lhe desprende dos ossos". Embora fique evidente que a nova palavra não contém o Logos, é muito cômodo considerar os estudos estão concluídos, já que foi exaltado como Mestre pelos seus irmãos.

 

Outros entendem que a Palavra Perdida deve ser encontrada. Portanto, na exaltação a revelação é tão somente um certificado que todos continuam na condição de "eternos aprendizes". Estes continuam a trabalhar no simbolismo, no que os unem, na espera de um dia alcançar a iniciação plena nos mistérios maçônicos.

 

Todavia, as duas opções apresentadas não esgotam as escolhas. Outros propuseram diferentes extensões da narrativa original e consolidaram diferentes ritos plenos de novos graus iniciáticos. Os tamanhos das extensões dependem do rito e, consequentemente, do número de graus iniciáticos que lhe foram acrescidos. O Rito Escocês Antigo e Aceito acrescentou 30 graus. Destes, onze são destinados à extensão da Lenda de Hiram, são os Graus Inefáveis.

 

Todos os Graus inefáveis (do 4 ao 14) possuem seus respectivos Mistérios. Todavia, por uma decisão dos Altos Corpos Maçônicos do rito, apenas três  (4, 9 e 14) são de celebração obrigatória. Portanto, objetos de iniciação. Enquanto que tanto o primeiro grupo de Graus intermediários (5, 6, 7 e 8), quanto ao segundo grupo de Graus intermediários (10, 11, 12 e 13) podem ser conferidos aos obreiros por Comunicações.  Contudo, cada um possui configuração de loja, aventais, paramentos e cenários próprios. Além, claro, de palavras sagradas e de passes singulares.

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