Os Mistérios do Capítulo Rosa Cruz

 

Capítulo 06

 

Celebração dos Mistérios do Cavaleiro Rosa Cruz ou Da Águia Branca e do Pelicano, Grau 18

 

Terceira Câmara

 

Anunciado como Cavaleiro do Oriente e do Ocidente, fui recebido na Terceira Câmara por maçons rosa-cruzes, em posição de respeito, com seus cajados cruzados. Conduzido ao trono do Oriente, o Sapientíssimo Mestre explicou-me a antiga máxima hermética: INRI - 'Igne Natura Renovatur Integra', ou seja, 'O Fogo Renova a Natureza Inteira'. O fogo, simbolizado pelo Sol na Maçonaria, representa a energia que ilumina, aquece e transforma. Em seguida, fui conduzido ao Ocidente e colocado entre as colunas.

 

Imersos na escuridão da Câmara, tínhamos a esperança de que a centelha da vida renascesse, trazendo consigo a luz e o calor. O Sapientíssimo Mestre, auxiliado pelos Vigilantes, desceu do trono para iluminar a Câmara.

 

A energia que ilumina o mundo

 

Ao retirar a rosa da cruz e inserir a pramantha no orifício central, onde se encontram as linhas da imanência e da transcendência divinas, e ao pronunciar a máxima hermética, a Terceira Câmara foi iluminada.

 

Em seguida, acendendo o tripé com três velas, elevou-o e proclamou: 'Que esta chama ilumine o mundo com o esplendor da ciência e que o amor gere fecundidade e novas energias'.

 

Apontado para um túmulo aberto, compreendi que a iniciação nesse grau era dedicada a Jesus, mas que o Capítulo não adota o cristianismo como religião oficial. Cada maçom é livre para professar a fé que mais se alinha com seu grau de consciência, pois o Criador se manifesta de forma única em cada criatura.

 

Caridade e Justiça

 

Desde a primeira Câmara, o Sapientíssimo Mestre definiu a posição do Capítulo, enfatizando a caridade como o cerne do ensinamento de Jesus. 'Para Jesus', afirmou ele, 'a bondade, a tolerância e o amor igualavam todos os homens. Sua mensagem antevia a igualdade como um direito inalienável, e a caridade como o caminho para a justiça.'

 

O terceiro ensinamento


Embora essa posição distancie o Capítulo do cristianismo em suas diversas vertentes, aproxima-o do cristianismo medieval, especialmente do catolicismo, ao defender um 'Terceiro Ensinamento': a defesa do direito, inclusive pelo uso da força quando necessário, um ideal associado à cavalaria.

 

Com base nessas premissas, sou consagrado, criado e armado como Cavaleiro Rosa-Cruz, Cavaleiro da Águia Branca e do Pelicano. Recebo uma espada, com o juramento de utilizá-la somente em defesa da justiça e de permanecer leal até a morte. Em minha condição de Cavaleiro, recebo a chama para acender as velas do Candelabro de Sete Braços.

 

Cada chama acesa revive os valores da Ordem Cavalheiresca. Por fim, o Perfeito e Excelentíssimo Primeiro Vigilante me transmite as palavras e sinais secretos do Grau 18, parte do conhecimento reservado aos membros do Rito Escocês Antigo e Aceito. Esses ensinamentos são confidenciais e devem ser guardados em segredo.

 

A Ceia Mística

 

O Ritual do Grau 18 relata que, no século XVI, a Ordem Rosa-Cruz era composta por médicos dedicados ao estudo da natureza e à busca de curas para as doenças. Esses homens eruditos se dispersavam pelo mundo, mas se reuniam anualmente para compartilhar seus conhecimentos. Inspirados nessa tradição, nosso Capítulo Rosa-Cruz organiza encontros anuais para fortalecer os laços de amizade e os princípios morais que nos unem.

 

Essa reunião anual ocorre na Quinta-Feira Santa e inclui uma ceia, detalhada no Cerimonial de Endoenças. Embora a ceia seja um momento importante, nosso foco aqui é a Ceia Mística, celebrada após a Investidura e a Instrução do Grau 18. É fundamental distinguir essa celebração da Comunhão Cristã, pois ambas, embora envolvam pão e vinho, carregam significados distintos.

 

Conforme o ritual, a 'nutrição' que partilhamos representa o 'corpo místico do capítulo', ou seja, o conhecimento moral acumulado ao longo da história da humanidade. Na Comunhão Cristã, por sua vez, o pão e o vinho simbolizam o corpo místico de Cristo, representando um saber religioso revelado pelo Filho de Deus. Para aprofundar-se no mistério da Comunhão, recomendo participar de uma missa católica. Então, tratemos apenas da ceia mística capitular.

 

A Ceia Mística Capitular

 

"Formando um círculo, os cavaleiros distribuem um pão segundo o seguinte procedimento: cada cavaleiro toma um pequeno pedaço do pão e o entrega ao cavaleiro à sua direita. Nesse momento, pronuncia a chave hermética: 'Comei, meu irmão, e dai de comer a quem tem fome. Amai e frutificai'.

 

De forma semelhante, cada cavaleiro toma um gole de uma taça de vinho e a entrega ao cavaleiro à sua direita. Nesse momento, pronuncia a chave hermética: 'Bebei, meu irmão, e dai de beber a quem tem sede. Aprendei e ensinai'.

 

Assim se encerra a celebração dos Mistérios do Cavaleiro Rosa-Cruz, ou da Águia Branca e do Pelicano, Grau 18. Um Capítulo dedicado ao amor (caridade) e à justiça, através do conhecimento científico. Em suma, em uma chave hermética, poderia ser dito: o governo da justiça amorosa como o caminho para uma sociedade justa e perfeita.

 

Breve considerações a respeito da palavra perdida

 

Para muitos escritores maçônicos, a palavra perdida é um enigma que desperta grande interesse. Acredita-se que ela seja a chave mística para a ressurreição de valores, sejam eles espirituais, morais ou até mesmo utilizados como um mantra em práticas místicas.

 

Entre aqueles que defendem a descoberta dessa palavra, há divergências quanto à sua verdadeira identidade. Uma das hipóteses mais difundidas é a de que a palavra perdida seria INRI.

 

Na tradição cristã, INRI são as iniciais da frase em latim "Iesus Nazarenus Rex Iudaeum" (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus), inscrita na cruz de Cristo. Essa inscrição, rica em simbolismo, é vista por alguns como uma chave mística que encerra profundos significados.

 

Outra interpretação interessante surge ao analisar a frase original em hebraico. Ao destacar as primeiras letras de cada palavra, obtém-se um tetragrama que, segundo alguns estudiosos, poderia ser traduzido como "Eu Sou". Essa expressão, associada à manifestação divina a Moisés, representa a divindade eterna e imutável.

 

O Evangelho de João (8:28) corrobora essa ideia ao afirmar: "Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas transmito tudo conforme o meu Pai me ensinou".  

Dessa forma, INRI emerge como uma palavra poderosa, capaz de conectar o humano ao divino e de inspirar a busca por um conhecimento superior. No contexto maçônico, essa palavra representa a busca pela iluminação interior e a conexão com o Grande Arquiteto do Universo.

 

Portanto, IRNI é a palavra edificante (o Logos) que desde o início está voltada ao Criador.

 

“No início era o Logos e o Logos estava voltado ao Criador, e o Logos era Um com o Criador”.

 

Uma noite de Luz para toda a humanidade!

 

Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

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