Os Mistérios do Capítulo Rosa Cruz
Capítulo 05
Celebração dos Mistérios do Cavaleiro
Rosa Cruz ou Da Águia Branca e do Pelicano, Grau 18
Segunda
Câmara
Adentrei uma pequena câmara quadrada,
revestida de negro e adornada com painéis que retratavam o castigo dos
condenados como réprobos. Iluminada apenas por uma tênue luz exterior, a câmara
evocava um ambiente sombrio e opressivo.
Estar neste local de suplícios
despertou em mim a lembrança de uma época em que o medo substituía a caridade e
o amor ao próximo. A classe dominante exercia seu poder por meio do terror, e
qualquer divergência de pensamento era considerada heresia. A fé era
pervertida, e a hipocrisia reinava.
Nesse contexto, valorizo ainda mais a
vivência em uma sociedade democrática, onde os cidadãos elegem livremente seus
representantes para construir, por meio do diálogo e da razão, uma Constituição
que garanta os direitos e deveres de todos. A democracia, com seu processo
legislativo, permite que diferentes perspectivas sejam consideradas, resultando
em leis mais justas e equitativas.
A separação dos poderes em legislativo,
judiciário e executivo é um dos grandes triunfos da Maçonaria durante o
Iluminismo. E hoje, a Maçonaria tem como missão consolidar e defender essa
conquista. Todos os rituais maçônicos ressaltam a obrigação de combater a
tirania.
Tanto os ensinamentos de Jesus, que
pregam a caridade, quanto a razão humana, fruto da evolução histórica, defendem
a separação entre Estado e Igreja. A união entre governança e religião, com a
imposição de uma fé única, resultou em atrocidades como a tortura, a censura e
a queima de hereges. O horror foi utilizado como instrumento de dominação.
A Segunda Câmara proporciona ao
candidato um momento de reflexão sobre sua prática cidadã. Ao final do processo
iniciático, espera-se que ele internalize os valores da bondade, da caridade e
da justiça, tornando-se digno do Grau 18 e do título de Cavaleiro Rosa-Cruz.
A Segunda Câmara proporciona um momento
de introspecção e reflexão sobre a prática cidadã do candidato. A esperança é
que, ao final do processo iniciático, o candidato internalize os valores da
bondade, da caridade e da justiça, tornando-se digno do Grau 18 e consagrado
como Cavaleiro Rosa-Cruz.
Assim como a Câmara de Reflexão no Grau
de Aprendiz, a Segunda Câmara convida o candidato a uma profunda reflexão. Se
no primeiro grau a questão era sobre a morte, aqui a reflexão se volta para o
sofrimento e o suplício.
Para responder a esse novo
questionamento, o Manual do Grau 18 indica a Lei Moral proposta por Jesus. Essa
lei se baseia na premissa da existência de um único Princípio Criador e na
criação do homem à Sua imagem e semelhança. Essa semelhança universal
estabelece um laço de fraternidade entre todos os seres humanos.
O Primeiro Artigo da Nova Lei Moral
estabelece: 'Amarás ao Criador de todo o teu coração, com toda a tua alma, com
toda a tua força e com todo o teu entendimento
O Segundo Artigo da Nova Lei Moral
estabelece: 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'. A parábola do bom
samaritano, contada por Jesus, esclarece que o 'próximo' é qualquer pessoa que
necessita de ajuda. Esse amor ao próximo é uma consequência natural do amor ao
Criador, pois todos somos seus filhos.
É importante ressaltar que o Segundo
Artigo define a caridade como o amor ao próximo, independentemente de qualquer
distinção. A caridade é a expressão prática do amor universal que nos une a
todos.
Hiran
de Melo - Sublime
Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

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