Os Mistérios do Capítulo Rosa Cruz

 

Capítulo 03

 

Os Mistérios do Grau 17 – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

 

Estava só, no átrio, vestindo os paramentos que me identificavam como Príncipe de Jerusalém. Sabia que estava prestes a ser admitido entre os Maçons que ostentam o Grau 17 — Cavaleiro do Oriente e do Ocidente — e mesmo após uma longa jornada de estudos, confesso que a ansiedade me dominava. Ouvi dizer que aquela Loja era composta por Irmãos de idade avançada, verdadeiros anciãos, guardiões de uma sabedoria profunda e ancestral.

 

A porta se abriu. Uma voz firme e serena anunciou que, ao adentrar aquele Templo, eu veria coisas maravilhosas. Entrei sem hesitar, tomado por uma alegria tão intensa que parecia ter sido empurrado por uma força invisível.

 

Entre as colunas, fui interrogado sobre os graus que já havia recebido. Enquanto respondia, meus olhos se perdiam na beleza do ambiente. Havia onze tronos, distribuídos pelas diversas regiões da Loja, ocupados por anciãos. No Oriente, erguia-se um trono majestoso, como aquele descrito no Apocalipse de João. Era sustentado por quatro seres alados, cada um com seis asas. O presidente segurava um livro do qual pendiam sete selos. Era tudo magnífico. E mais ainda haveria de ser revelado.

 

Diante de uma pilastra, deparei-me com um recipiente de água pura. À medida que eu ali permanecia, um líquido semelhante ao sangue escorria — como se viesse das minhas próprias veias — tingindo a água de vermelho. Não temi.

 

Estava pronto a sacrificar até meu próprio sangue para ver as maravilhas prometidas. E então, uma voz confirmou: “Não teme derramar seu sangue para ver coisas maravilhosas”.

 

Foi então que pude contemplar a abertura dos selos, um a um. A cada selo rompido, o Muito Poderoso Celebrante retirava algo do livro e o entregava a um dos anciãos, junto com uma missão. Como desejei estar entre eles! Cada tarefa era nobre, e eu ansiava por recebê-las, por servi-las, por me tornar digno do que ali se celebrava — em nome da Maçonaria e de sua perpetuação.

 

Na abertura do sétimo selo, sete trombetas foram entregues aos anciãos escolhidos. Um deles trouxe um braseiro. O Celebrante retirou incenso e o lançou sobre as brasas: um perfume sublime espalhou-se por todo o Templo. Nos quatro cantos, surgiram esferas representando os ventos encerrados — desapareceram antes que eu pudesse entender seu pleno significado. E então, o som da primeira trombeta me chamou de volta à atenção.

 

Abri meus braços e, um a um, todos os meus paramentos maçônicos foram retirados. A segunda trombeta soou, e fui revestido com uma túnica branca, símbolo da pureza e do renascimento. O cerimonial prosseguiu com solenidade, até que, ao soar a sétima trombeta, fui conduzido aos segredos do Grau 17.

 

Um heptágono, gravado com sete letras, selava aquele momento. Sete qualidades essenciais ao verdadeiro Maçom são ali simbolizadas — estão descritas nas páginas 100 e 101 do ritual. Também ali se explicam os sete candelabros, as sete estrelas e o sentido esotérico do número sete, que permeia o grau como seu fundamento místico. Até mesmo a Palavra Sagrada e a Palavra de Passe são formadas por sete letras.

 

Ao final da celebração, o tempo havia se esgotado. A Loja foi encerrada segundo o rito, com a solenidade que a ocasião exigia.

 

Considerações Finais

 

Este grau exige vivência. Não há espaço para longos discursos ou explicações formais. Tudo é transmitido pela experiência direta — a forma mais antiga e autêntica de ensino. É assim que se grava no coração e na memória do iniciado. E é assim que a Maçonaria preserva seus mistérios: não apenas com palavras, mas com símbolos, com ações, com silêncio e com luz.

 

Hiran de Melo - Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do R\E\A\A\A\A\

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