Quarta Instrução do Grau de Aprendiz Maçom Adonhiramita
Por Hiran de Melo
Ao abrir
esta Quarta Instrução, ergo o pensamento ao Supremo Arquiteto dos Mundos,
reconhecendo que é por Sua vontade que posso trilhar a senda da Luz. Agradeço
não apenas pela vida e pela oportunidade de servir, mas pelo dom maior de
reconhecer em todos os homens — sem distinção de classe, cor ou origem — a
presença de meus Irmãos. É nesse reconhecimento que floresce a verdadeira
fraternidade, aquela que não se curva a preconceitos nem se deixa manchar pela
ambição desmedida, pelo orgulho vazio ou pelo erro teimosamente alimentado.
Mas há males
ainda mais corrosivos, que envenenam silenciosamente o espírito: a ignorância,
que fecha os olhos da alma; a mentira, que distorce a verdade; o fanatismo, que
obscurece a razão; e a superstição, que corrompe a fé. Eles não apenas detêm o
progresso — aprisionam consciências. Combatê-los é dever sagrado, pois deles
nascem a intolerância, a violência e a estagnação dos povos.
Louis
Antoine Travenol nos recorda que a Maçonaria é uma escola de elevação moral,
onde cada símbolo é lição viva e cada Irmão, um espelho. Inspirado por essa
visão, compreendo que conhecer os princípios não basta: é preciso encarná-los.
Justiça e tolerância não são apenas palavras que ressoam na Loja; são atos que
moldam a conduta diária. A justiça garante o direito de todos; a tolerância
assegura a liberdade de consciência.
Quando um
Irmão se afasta da senda, não me é dado julgá-lo com aspereza, mas
oferecer-lhe, se possível, o braço compassivo que o conduza de volta. A
verdadeira fraternidade não é conivência — e, por isso, não hesitamos em
afastar aqueles que traem a moral e a disciplina maçônicas. Não se trata de
intolerância, mas de zelar pela coluna que sustenta o templo interior da Ordem.
O dever que
me cabe não se limita à Loja: onde houver dor, minha mão deve estar estendida;
onde houver infortúnio, minha presença deve ser auxílio; onde houver trevas,
minha palavra deve ser luz. Para isso, preciso da fé que fortalece, da perseverança
que rompe barreiras e da dedicação que age sem esperar aplausos, buscando
apenas a aprovação de minha consciência.
A Loja que
habito é um quadrilongo simbólico que se estende da Terra ao Céu, do Oriente ao
Ocidente, do Norte ao Sul, e da superfície ao centro. Nesse espaço, aprendo que
sou uma pedra a ser talhada e que o Universo é a Grande Oficina. Apoio-me sobre
três colunas: Sabedoria, que guia minha mente; Força, que sustenta meu caráter;
e Beleza, que aperfeiçoa minhas ações.
A luta
contra a ignorância é constante, pois o ignorante, incapaz de medir o valor do
saber, afasta-se do sábio e não pratica a tolerância, o amor fraternal ou o
respeito próprio. Um povo ignorante permanece acorrentado, mesmo sob leis
liberais. Do mesmo modo, o fanatismo — essa exaltação cega que perverte a razão
— é capaz de levar homens, em nome de Deus, a cometer horrores como os autos de
fé, testemunhos sombrios de quando a fé é tomada pela sombra.
A fraternidade
que cultuamos é aquela que educa, corrige defeitos, respeita as diferenças e
age sem esperar retorno. O amparo ao Irmão ou ao profano deve ser guiado pela
justiça e pelo mérito, nunca pelo favoritismo, pois onde não há honra, não há
solidariedade legítima.
Nesta Quarta
Instrução, não apenas aprendi lições, mas recebi um chamado à ação: servir mais
do que pedir, agir com retidão mesmo no silêncio, educar-me continuamente,
burilar meus defeitos e aceitar o outro com sua crença, sua ideia e sua
liberdade.
Que meu
templo interior esteja sempre em construção e que minha vida seja, em tudo,
para a Glória do Grande Arquiteto do Universo e para o esplendor da Sublime
Ordem que me acolhe.
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