Quarta Instrução do Grau de
Companheiro Maçom Adonhiramita
Por Hiran de Melo
A Loja do
Companheiro Adonhiramita recebe luz por três janelas — no Oriente, no Sul e no
Ocidente. O Setentrião permanece sem abertura, pois dessa direção a claridade
nunca vem. Essas janelas não apenas iluminam o espaço físico, mas simbolizam o
conhecimento que se derrama sobre aqueles que entram e saem do Templo.
Os
Companheiros sentam-se ao Sul, região de calor e vitalidade, onde o trabalho se
realiza com liberdade, alegria e entusiasmo. Sua idade simbólica é cinco
anos — número que representa a quintessência, o princípio sutil que une os
quatro elementos, e também os cinco sentidos, ferramentas naturais com as quais
o mundo se revela ao Iniciado.
No Pavimento
Mosaico, ao Norte, erguem-se três colunas:
Coríntia – próxima ao Segundo Vigilante, é o primeiro ano
de estudos, dedicado ao conhecimento das ferramentas e dos materiais de
trabalho. Representa a elevação do espírito através da Beleza.
Dórica – ao centro, marca o segundo ano, voltado às
ciências, às artes e às profissões liberais. Simboliza a retidão conquistada
pelo estudo e pela prática — a Força.
Jônica – próxima ao Chanceler, é o terceiro ano, no qual
se adquire coragem inquebrantável e firmeza de alma — a Sabedoria.
Ao Sul, duas
colunas completam o ciclo:
Compósita – junto ao Tesoureiro, corresponde ao quarto ano,
quando o Companheiro já se mostra apto à Grande Obra da Construção Universal,
conduzindo-se com equidade.
Toscana – junto ao Primeiro Vigilante, simples e
despojada, recorda que a humildade é a coroa das almas esclarecidas e que a
verdadeira beleza se realiza na utilidade social.
Essas cinco
colunas também representam as cinco etapas do amadurecimento simbólico do
Companheiro.
As vestes do
Venerável, em ouro e azul, lembram os dons dados pelo Grande Arquiteto do
Universo a Salomão: riqueza e sabedoria.
O sinal de
ordem — o peitoral — indica que o Companheiro guarda no coração os
segredos da Ordem, disposto a defendê-los mesmo à custa da própria vida.
Sua marcha
começa entre as colunas, segue ao Sul, alcança o Oriente, passa pelo Norte e
retorna ao Ocidente — trajeto que simboliza o ciclo de aprendizado e retorno.
O Iniciado é
chamado a evitar inveja, calúnia e intemperança, afastando-se do crime e
abraçando a virtude. Seus preceitos fundamentais são o silêncio, a prudência e
a caridade.
O salário
simbólico não é ouro nem prata, mas a satisfação de cumprir a própria missão e
estar pronto para, no momento certo, servir entre os Mestres. Diligência e
perseverança são indispensáveis, pois o caminho à frente exige preparo e
firmeza.
Que o Grande
Arquiteto do Universo derrame sobre todos luz, proteção e abundância.
Análise à luz da ótica de Louis Antoine Travenol
A leitura
desta Instrução, sob a perspectiva de Louis Antoine Travenol, revela que o
texto não é apenas um compêndio de símbolos, mas um convite à construção de
si mesmo como obra viva. Travenol via a Maçonaria como um teatro
filosófico, onde cada elemento do ritual é ao mesmo tempo cenário e personagem
na peça interior do Iniciado.
As janelas,
por exemplo, não iluminam apenas o Templo físico, mas recordam que a verdadeira
luz é a que o Companheiro leva consigo ao mundo. As colunas, dispostas em
ordens arquitetônicas distintas, são capítulos de uma biografia moral: beleza
como inspiração, força como firmeza e sabedoria como coroamento. As últimas
duas — compósita e toscana — mostram que, mesmo no grau mais elevado, a
humildade e a utilidade social continuam sendo pedras angulares.
A marcha,
que percorre todos os pontos cardeais, reforça a ideia de que o caminho do
Companheiro é circular e contínuo: ele aprende, retorna, reaprende e se renova.
Assim, como no espírito de Travenol, o ensinamento central é que a Maçonaria não
forma apenas bons obreiros de pedra, mas escultores de si mesmos, capazes de
harmonizar trabalho, virtude e luz.
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