Quinta Instrução do Grau de
Companheiro Maçom Adonhiramita
Por Hiran de Melo
Recordo-me
nitidamente da noite em que recebi a Quinta Instrução. O Venerável nos reuniu
e, com a serenidade de quem guarda segredos antigos, falou que estávamos diante
de ensinamentos próprios do Segundo Grau. Disse que, ao término dessa etapa, eu
teria completado meu tempo de trabalho espiritual e moral, e poderia aspirar à
Exaltação — o passo seguinte, que conduz ao Terceiro Grau.
Antes que o
1º Vigilante falasse sobre a simbologia numérica, o Venerável nos convidou a
refletir sobre algo que chamou de Enigma da Vida e Meditação da Verdade.
Suas
palavras me tocaram profundamente. Ele falou que muitos homens vivem apenas das
satisfações imediatas, preocupados somente com o que podem tocar e medir. Mas
há outros — e eu quis acreditar que estava entre eles — que não se conformam
com as aparências. Querem ir além, arrancar à Natureza os seus segredos,
investigar os mundos e os seres.
Compreendi que
foi dessa inquietação que nasceram as filosofias e religiões. Todas tentam
responder à necessidade humana de saber. Mas, mesmo criadas com sinceridade,
carregam os limites de seus autores, porque nasceram de mãos humanas — e tudo o
que é humano é falível. O Venerável dizia que a Verdade, a verdadeira, ninguém
ainda alcançou. E, curioso, percebi que quanto mais a ciência avança, mais o
mistério parece recuar.
Aprendi que
o sábio e o iniciado não se iludem com isso. Eles reconhecem seus limites
diante da Verdade e não se apressam em instruir as multidões, pois sabem que
não podem lhes dar compreensão plena. No entanto, estendem a mão aos que
consideram prontos para receber a luz — aqueles que não se submetem cegamente a
sistemas rígidos e buscam o real sem ambição de vitória, mas pelo simples
repouso de uma mente em paz.
O Venerável
foi firme: nunca saberemos tudo. Ainda assim, queremos saber — e talvez seja
essa a nossa vocação mais elevada. A Verdade é ampla demais para ser
aprisionada por palavras ou formas. Quando tentamos moldá-la, corremos o risco
de distorcê-la. Por isso, o iniciado deve despir-se do que não lhe pertence e
mergulhar em si mesmo, buscando na meditação a aproximação com a fonte pura.
Ali
compreendi que não é o acúmulo de informações que nos ilumina, mas a clareza de
poucas verdades bem assimiladas. E que, muitas vezes, o ignorante sincero está
mais perto da Verdade que o erudito vaidoso preso a noções ilusórias.
Foi então
que ele nos transmitiu o que chamou de síntese da tradição:
- Em saber, a
qualidade vale mais que a quantidade: saiba pouco, mas saiba bem.
- Aprenda a
distinguir o real
do aparente.
- Não se
deixe seduzir apenas
pela beleza das palavras.
- Busque
sempre o
espírito que as inspira, mesmo que ele raramente seja apreendido por
completo.
Disse que,
seguindo esse caminho, afastaríamos as trevas do mundo profano e nos
aproximaríamos da clarividência dos iniciados. Que muitos grandes filósofos
permaneceram profanos, enquanto pensadores obscuros descobriram a luz no
recolhimento e no silêncio.
Ao final,
deixou um conselho que guardei comigo: leia pouco, pense muito, medite sempre —
e não tenha medo de sonhar.
Saí daquela
sessão com a impressão de que, mais do que aprender algo novo, eu havia
recebido um chamado para mudar a forma como busco e vivo a Verdade.
Que o Grande
Arquiteto do Universo nos ampare e nos guarde.
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