Terceira Instrução do Grau de Aprendiz Maçom Adonhiramita
Por Hiran
de Melo
O Venerável
abre os trabalhos e, segundo os preceitos que nos regem, conduz-nos à Terceira
Instrução. Não é mera formalidade — é um chamado à escuta atenta e ao
recolhimento interior. Entre ele e o Primeiro Vigilante há um culto, e este
culto é um segredo. Não o segredo estéril que oculta por vaidade, mas o que
guarda para revelar no tempo certo, como o grão que, protegido na terra,
germina para dar fruto.
Esse segredo
é a Maçonaria: aliança íntima de homens escolhidos, edificada sobre o Grande
Arquiteto do Universo; regida pela Lei Natural; motivada pela Verdade, pela
Liberdade e pela Moral; sustentada pela Igualdade e pela Fraternidade; e
frutificada na Virtude, na Sociabilidade e no Progresso. Não existe para a glória
de alguns, mas para a felicidade de todos os povos, e permanecerá enquanto
houver humanidade sedenta de Luz.
Como
Aprendiz, compreendo que o reconhecimento não se dá apenas por sinais, toques
ou palavras, mas sobretudo pelas obras e pelo caráter. Meus deveres são claros:
cumprir, com integridade, as obrigações do lugar onde a Providência me colocou;
fugir do vício e buscar a virtude; honrar o Criador; tratar todos como iguais;
combater o orgulho, a ignorância e o preconceito; praticar a justiça e a tolerância;
socorrer o aflito; reconduzir, com mansidão, o que erra. Para isso, necessito
da Fé que encoraja, da Perseverança que vence obstáculos e do Devotamento que
me faz fazer o bem sem esperar outra recompensa que não a paz da consciência.
Os símbolos
que me cercam não são adornos, mas lições vivas. O Esquadro ensina retidão, o
Nível, igualdade, e o Prumo, justiça imparcial. O Sinal lembra-me que a honra
de guardar os mistérios vale mais que a própria vida. As Colunas — de
proporções que desafiam a arquitetura — mostram que o Poder e a Sabedoria
divinos transcendem qualquer medida humana; ocas, guardam o saber; adornadas
com romãs, revelam que a unidade se sustenta na diversidade.
O Pavimento
Mosaico, feito de pedras brancas e negras, fala do Bem e do Mal que se
entrelaçam na vida, exigindo de mim discernimento. A Espada Flamejante defende
a Justiça e expulsa o vício. O Esquadro do Venerável impõe retidão à liderança,
o Nível do Primeiro Vigilante afirma a igualdade como base do direito natural,
e o Prumo do Segundo Vigilante ordena a imparcialidade. Juntos, ensinam que a
verdadeira justiça nasce do equilíbrio entre igualdade e retidão.
Recordo
ainda minhas viagens simbólicas, os passos dados sem metais, nem nu nem
vestido, aceitando a purificação dos excessos da vida profana. Bati à porta do
Templo com três pancadas, buscando a Luz. Diante de mim, ao ser retirada a
venda, vi o Livro da Lei, as Luzes e o Pavimento Mosaico — e compreendi que
cada pedra era também um espelho.
Trabalhamos
do Meio-Dia à Meia-Noite em memória de Zoroastro, que reunia seus discípulos
nesse intervalo, encerrando com um ágape fraternal. O ciclo é um convite à
constância: a consciência desperta não se entrega ao sono da indiferença.
Como
escreveu Louis Antoine Travenol, a Maçonaria não é apenas doutrina — é uma
escola viva de caráter. Cada símbolo não encerra um mistério, mas abre uma
possibilidade. O rito é caminho, o Templo se constrói em mim, e a Iniciação não
termina: começa e recomeça a cada dia.
Ao concluir
esta Instrução, não carrego respostas prontas, mas perguntas mais profundas.
Reflito, estudo e me preparo para os degraus que virão, pedindo ao Grande
Arquiteto do Universo que ilumine meus passos, para que o que aprendo se
converta, não em erudição vazia, mas em transformação real e vivida. Sei que a
jornada maçônica é longa, e que as próximas instruções trarão novos patamares a
serem alcançados.
Quando nos
reunirmos novamente, desejo compartilhar não apenas o que compreendi, mas o que
vivi e transformei em mim.
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